igapo

Igapó Ladrilhos

Ao criar a Igapó, a ideia que sempre me norteou foi a de tentar desfazer o estereótipo do regional que temos hoje no Brasil. Do design regional ser colorido, cheio de flores, frutas e calor. Não que isso não seja bom, ou que não sejam aspectos da nossa cultura amazônida, aspectos esses que me orgulham muito. Mas a Amazônia e, nesse caso, o Pará não é somente isso. A Amazônia, o Pará, é plural. Temos várias vozes, traços e saberes aqui. Por isso, resumir todas as Amazônias em apenas um único estereótipo – estereótipo este geralmente retratado por sudestinos do eixo RJ/SP que acabam nos resumindo a Ritinhas e saias rodadas – sempre me incomodava.

Foi pesquisando sobre o design nacional e internacional (e este sempre tentando focar um pouco mais na América Latina – ainda que nossas raízes coloniais não permitam o afastamento completo da Europa) que busquei criar uma marca que retratasse nossa cultura e que fizesse isso de várias formas: do colorido ao sóbrio, das linhas clássicas e cheias de rococó as linhas retas, curvas e modernistas. E o mais importante, que tudo isso fosse retratado pelos olhares e pelas vivências das pessoas da nossa região.

Tudo isso usando o que temos aqui de referência – e a arquitetura vernacular raio-que-o-parta foi uma delas. De forma popular de decorar menosprezada pelas mentes pensantes da arquitetura paraense à referência cultural de design, essa inspiração abre portas para mostrar que um design amazônico não precisa ser das folhas das florestas, mas também dos cacos da rua.

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