Resumo:
A arquitetura popular cresceu à margem da produção arquitetônica tomada como oficial. Integrado à produção espontânea dos anos 50 e 60 do século XX, manifestada no Pará sob as teias do modernismo, surge o “Raio que o parta”. Caracterizado pelo empréstimo compositivo de elementos da linguagem estética modernista, como o emprego de mosaicos de cacos de azulejos e outros elementos como cobogós esmaltados, molduras inclinadas nas portas e janelas, telhado mariposa e colunas em “V”. Tal linguagem transformou-se em símbolo de “modernidade” e desenvolvimento do país pelas classes médias em ascensão, acarretando uma extensa reprodução de exemplares pela cidade. Este trabalho tem como objetivo refletir sobre os principais aspectos levantados por trabalhos acadêmicos que tratam do tema, em busca de semelhanças ou diferenças em seus discursos, na tentativa de compreender como essa forma de apropriação da arquitetura moderna é vista pela historiografia atual. Amparadas em autores que tratam a cultura, patrimônio e identidade, buscar-se-á o entendimento do fenômeno “Raio que o parta”.